SÃO LUÍS – Uma decisão da Terceira Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, proferida em 12 de janeiro de 2026, manteve as prisões preventivas e os afastamentos cautelares de líderes de uma suposta organização criminosa instalada na estrutura administrativa de Turilândia/MA. No centro das investigações está o prefeito José Paulo Silva Dantas Neto, conhecido como "Paulo Curió", acusado de chefiar um esquema sistemático de desvio de recursos públicos.
O Esquema: Combustíveis e Notas "Frias"
A investigação, conduzida pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), revelou que o esquema operava principalmente através da empresa Posto Turi Eireli ME. Embora a cidade possua apenas 10 veículos registrados, a empresa firmou 58 contratos com o município, gerando movimentações financeiras consideradas astronômicas e incompatíveis com a frota local.
Segundo os relatórios técnicos, o esquema funcionava com a emissão de notas fiscais "frias". As empresas contratadas retinham entre 10% e 18% do valor dos contratos e devolviam o restante à organização criminosa. O montante total recebido pelas empresas investigadas dos cofres de Turilândia saltou para R$ 43.424.981,19, valor muito superior às estimativas iniciais.
Cooptação do Legislativo e Vida de Luxo
Um dos pontos mais alarmantes da decisão destaca a suposta "cooptação do Poder Legislativo". Segundo os autos, existem indícios de que os 11 vereadores da Câmara Municipal recebiam propinas mensais para garantir apoio político ao prefeito e omitir a fiscalização dos gastos públicos. Devido à gravidade, a justiça impôs aos vereadores prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, permitindo o comparecimento à Câmara apenas em horários restritos para atividades parlamentares.
O dinheiro desviado teria financiado um patrimônio imobiliário de luxo para Paulo Curió, incluindo:
Uma casa no bairro Calhau, em São Luís, avaliada em R$ 3,7 milhões.
Um apartamento de alto padrão no Edifício Al Mare, no valor de R$ 3,1 milhões.
Imóveis de luxo em Barreirinhas e Turilândia.
Pagamento de mensalidades escolares de alto custo e faculdades de medicina para familiares e aliados com dinheiro de propina.
Operadores e Lavagem de Dinheiro
A decisão detalha o papel de Wandson Jonath Barros, apontado como o "braço direito" e operador financeiro do prefeito. Wandson gerenciava a logística dos desvios e recebia 3% dos valores das fraudes. A esposa do prefeito, Eva Maria Oliveira Cuttrim Dantas, também é citada como participante ativa na gestão das contas e na lavagem de capitais através da compra de imóveis.
Decisão Judicial
A relatora do caso, Desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, negou a maioria dos pedidos de revogação de prisão, mantendo a segregação cautelar para garantir a ordem pública e evitar a destruição de provas. A magistrada ressaltou que, mesmo cientes das investigações, os envolvidos continuaram a executar atos de corrupção e discutiam estratégias para ludibriar as autoridades.
Apenas duas prisões domiciliares humanitárias foram concedidas: uma para uma investigada gestante e outra para uma portadora de câncer. O tribunal também determinou que o Ministério Público avalie a necessidade de uma intervenção estadual no município de Turilândia.






Sob a orientação do Tenente-Coronel Nelson, a operação teve como objetivo principal restaurar a incolumidade do sossego público da sociedade buriticupuense, que vinha sendo perturbada pelo barulho intenso e constante desses veículos.








