SÃO LUÍS – O Ministério Público do Maranhão (MPMA) enfrenta uma grave crise institucional neste início de ano. Em um gesto de evidente ruptura, os Promotores de Justiça que compõem o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) protocolaram, neste domingo (11), um pedido de exoneração coletiva de suas funções.
O estopim para a decisão foi o posicionamento da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), sob o comando de Danilo José de Castro Ferreira, em um processo criminal envolvendo uma organização criminosa no município de Turilândia/MA.
O motivo do impasse: Operação Tântalo II
De acordo com o Memorando nº 1/2026, a cúpula do GAECO manifestou profunda insatisfação com a decisão da PGJ de se manifestar favoravelmente à soltura de todos os investigados presos na "Operação Tântalo II". As prisões haviam sido efetuadas em 22 de dezembro de 2025, baseadas em um trabalho investigativo que o grupo classifica como "criterioso".
Para os promotores demissionários, a postura da Procuradoria-Geral:
Destoa das provas colhidas durante a investigação e reconhecidas pelo Judiciário;
Enfraquece o combate ao crime organizado no estado;
Gera impactos negativos na credibilidade de investigações complexas conduzidas pelo órgão;
Fere o Plano Estratégico do MPMA (2021-2029), que busca aprimorar a eficácia da persecução penal.
Ruptura e transição
No documento, os integrantes do GAECO afirmam que a divergência técnica e jurídica compromete a "convergência mínima necessária" para que continuem atuando como órgão auxiliar da PGJ. Apesar do pedido de saída imediata, os promotores informaram que entregarão um relatório circunstanciado das atividades em curso para garantir a transição e a preservação do interesse público.
Quem são os promotores que deixam o GAECO:
A lista de assinaturas inclui o coordenador do grupo e membros de diversas regionais:
Luiz Muniz Rocha Filho (Coordenador do GAECO/MPMA)
Ana Carolina Cordeiro de Mendonça (São Luís)
Marcos Valentim Pinheiro Paixão (São Luís)
Fernando Antônio Berniz Aragão (São Luís)
Eduardo André de Aguiar Lopes (Imperatriz)
Fábio Santos de Oliveira (Imperatriz)
Raquel Chaves Duarte Sales (Imperatriz)
Francisco Fernando de Morais Meneses Filho (Timon)
Raphaell Bruno Aragão Pereira de Oliveira (Timon)
Tharles Cunha Rodrigues Alves (Timon)
Até o fechamento desta matéria, a Procuradoria-Geral de Justiça ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o pedido de exoneração coletiva.






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